quinta-feira, 4 de setembro de 2008


As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.


(Carlos Drummond de Andrade)

3 comentários:

Quase Trinta disse...

alguém já disse que o amor tem razões que o próprio amor desconhece...

ótimo final de semana

Sammyra Santana disse...

Que borboleta mais linda, Mii!
vou carregar pra mim, rsrs!
Adorei o email, muito lindo! Ah, meus amigos morreram de rir daquele outro da piada que vc mandou, do urso e do coelhinho! hahahahahahahaha
Beijo e um findi bem bom pra ti!

Cassiane Schmidt disse...

Ah, que belo esse poema do Andrade, que belo todo o blogue!

Abraços